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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Natal já passou...

O Natal passou dentro da normalidade, este ano a véspera foi na nossa casa, com os meus pais, os meus sogros e os irmãos dos dois lados... Foi giro, igual aos outros anos, somos poucos e a criança mais pequena já tem 13 anos, por isso a animação nunca é grande, apesar da minha irmã se esforçar sempre por incutir o espírito do Pai Natal, na altura da distribuição das prendas, enquanto os adultos se preocupam mais em comer e beber.
Nestes últimos tempos, tenho tentado abstrair-me um pouco do nosso "problema", tenho me entretido com outros assuntos, e o volume de trabalho também aumenta sempre nesta altura, o que me deixa menos tempo para pensar. Neste momento, tenho até a sensação que me habituei ao facto de não conseguirmos ter filhos, já não me consigo imaginar grávida, nem consigo entrar naquele quarto vazio e sonhar com a decoração que gostava de fazer, estou a pensar ocupar o quarto com uma mobília que nos vão oferecer em Janeiro, porque no Natal tivemos que meter colchões no chão para toda a gente conseguir dormir lá em casa. No sábado, numa mini discussão com o P., sobre o mesmo assunto de sempre, os malvados dos Euros, respondi-lhe que: " se não tiver filhos, paciência. Se me apetecer adopto e pronto...". Doí um bocadinho, ter que gritar isto em voz alta, mas doí ainda mais quando sentimos toda a pressão em cima de nós, sem ter ajuda de lado nenhum. Estou cansada neste fim de ano, estou cansada de ser a bóia de salvação de toda a gente, enquanto me afogo aos poucos sem ninguém reparar, estou cansada de ter que me preocupar com tudo, sem que ninguém se preocupe se o meu olhar está mais triste ou se dou menos gargalhadas, estou cansada de ter que deixar sonhos pelo caminho sem nunca os concretizar, simplesmente porque não dá. Vem ai um novo ano... mas a sensação que tenho é que vão passar 10 anos, e que eu estarei no mesmo sitio, exactamente igual, sem nada mudar. Talvez seja demasiado exigente com a vida, tenho trabalho, não é aquilo que gostava de fazer, mas tenho um ordenado ao fim do mês, tenho saude, que felizmente sempre tive, tenho familia, tenho o meu maridão, mas continua a existir um vazio dentro de mim, que, por vezes, se tranforma numa especie de solidão.