
Este Carnaval, tivemos 4 dias intensos, completamente preenchidos e cheios de amor... Pensei muito antes de escrever sobre este assunto, e não vou entrar em grandes pormenores, para não revelar muito esta nossa história, e também porque sinceramente não sei explicar os motivos que nos levaram a "adoptar" um menino de 14 anos. Conhecemos o S., à uns meses atrás quando ele passou nas captações da equipa de Futsal que o P. treina, comecei logo a ouvir falar dele lá em casa, pelos piores motivos, porque era demasiado rebelde, porque respondia de forma agressiva, porque não respeitava a equipa... Quando o conheci, só vi uns olhos azuis gigantes e ternurentos, e de imediato percebi que por trás daquela "capa" estava um bebe grande e carente. Os meses foram passando, fui-me aproximando do S. e ele de mim, até chegarmos ao ponto de eu lhe telefonar todos os dias, só para ele ter alguém com quem desabafar, as bases familiares são quase nulas, o ambiente que o rodeia não é o mais saudável, e as regras mais básicas que existem no crescimento de uma criança o S. simplesmente não sabe, porque ninguém o ensinou. Mas quando o olhamos nos olhos, não pode existir ninguém mais doce, inocente, cheio de amor para dar, e exigindo tão pouco para ser feliz. Neste momento, o meu coração dispara ao pensar no "nosso menino", a experiência de te-lo connosco durante 4 dias foi a melhor possível, posso confessar que com ele e em pouco tempo aprendi o que é sentir amor de mãe, é uma sensação tão forte, uma preocupação constante, um querer mais e melhor para ele, o pedir a Deus para que ele nos ouça e siga pelo caminho que lhe estamos a apontar, não consigo descrever os sentimentos que envolvem esta relação, mas quando aquele menino me agradece com as lágrimas nos olhos, ao mesmo tempo que me revela que sou como uma mãe para ele, e me dá um beijo e um abraço sincero, apenas porque lhe dou atenção, porque me preocupo, porque lhe dou a mão, sinto-me completa. Sei que pouco mais posso fazer por ele, sei que tenho que controlar a minha vontade de o agarrar, trazer para casa e dar-lhe o futuro que ele merece, mas tenho a certeza que esta ligação se vai manter para sempre. O motivo pelo qual resolvi revelar este bocadinho da nossa vida é porque existem muitos S. por ai, e às vezes não compreendemos o quão importante podemos ser na vida de alguém, podemos ser mães, ensinar o que sabemos e simplesmente oferecer o nosso coração, não sou só eu que estou a mudar a vida do S., ele também está a mudar a minha... Eu e o P. ainda não falamos em adopção, mas com certeza quando chegarmos a essa fase da nossa vida, iremos pensar nesta experiência com o maior carinho do Mundo, porque se pudesse e se as circunstancias fossem outras, não hesitava em adoptar este menino de 14 anos.